Pensei que a minha verdadeira paixão era “fazer sites”: de 2000 a 2010 produzi aproximadamente 400 sites, de todos os tipos e portes, mas em nenhum momento senti “amor pelo que faço”. No começo foi bem interessante, principalmente pelo pioneirismo e pela minha pouca idade: aos 13 anos lidando com empresas de grande porte! Mas, foi apenas passageiro.
Parti para o desenvolvimento de games. Afinal, jogá-los sempre foi tão legal e tão interessante, imagina produzí-los? Depois de desenvolver 22 jogos, falo com toda certeza que jogar está muito longe do prazer de jogar. Está certo que a produção envolve um misto de mais de 10 áreas, sendo uma experiência que lhe faz evoluir todos os dias, porém toda essa multidisciplinaridade tem o custo de exigir muito, e esgotar suas energias.
Quem diria que uma curta viagem proporcionada por minha esposa e minha sogra poderia mudar tudo isso… e que me levou a descobrir talvez a minha definitiva paixão profissional: os répteis.
Não há um dia sequer em que eu não estive fascinado pelos animais, porém trabalhar com eles é o que realmente fascina. Adicione ao fato que é tão gostoso estar trabalhando com algo único e exclusivo, em que praticamente todos ao redor têm medo ou lhe acham louco, pois isso fortalece a nossa capacidade de se mostrar acima da baixa carga cultural da nossa sociedade.
Não há falsidade, não há jogos de interesse, são simplesmente puros e perfeitos. São fascinantes em todos os sentidos: aparência, funcionamento e comportamento. Eles sim são importantes para a Terra. Cada animal tem o seu papel de importância para o equilíbrio, mesmo que mínimo.
Já nós humanos, que importância temos? Desde quando o homem se “implantou” no planeta, vemos apenas destruição, perseguição e desequilíbrio.
Além do trabalho com animais permitir esse contato permanente, vem a parte do “trabalho” em si: conscientizar as pessoas, principalmente as crianças, acerca de animais que possuem tantos mitos e tantos preconceitos na sociedade é gratificante. Pois, no final, essas crianças crescerão como cidadãos conscientes de mais um ponto fundamental para o equilíbrio dos nossos sistemas, e mais importante, crescerão sem mais uma baboseira cultural que tanto nos cerca, e que as pessoas se deixam facilmente manipular. Aliás, as crianças, em sua maioria, são puras da maioria dos mitos e histórias populares, o que as estraga, surpreendentemente, são os próprios pais!

Crescer sem esses mitos, sem essa carga de besteirol não afetará apenas o modo como lidam e vêem as serpentes, as afetará em todas as partes de suas vidas; pois não deixaram criar dentro de si mais uma barreira de medos e crenças. É possível que em mínimas partes, isso as ajude a pensar em todas as áreas de suas vidas.
O medo é a pior “descaracterística” que uma pessoa pode ter. Medos atrasam sonhos, atrasam objetivos, atrasam atividades, atrasam o pensamento, enfim, atrasam a vida.
Hoje, com o Cobra Legal, e com nossas amáveis serpentes, eu e a Débora (minha esposa) somos caçadores de mitos! E isso não é apenas teoria, é realidade! Afinal, já que citei baboseiras culturais, existe aquela famosa frase que todo mundo adora colocar como frase do perfil (porém apenas por maquiagem, já que normalmente quem coloca isso é porque realmente não faz nada): “falar é fácil, o difícil é fazer”.
“Para começar, pare de falar e comece a fazer. “ - Walt Disney
Enfim, por mais louco que possa parecer o seu sonho e a sua ideia, mas desde que você sinta uma paixão dentro de você, faça-o! Ou pelo menos tente! Quem diria, de desenvolvedor de jogos, para “encantador de serpentes”!
OBS: Se você procura um animal de estimação que não dá trabalho, recomendo jibóias. Além de serem cobras muito dóceis, a manutenção é quase nula. Mas lembre-se: compre apenas animais de estimação legalizados!

































2 comentários até agora ↓
1 Celio // 20/08/2011 às 22:44:58
Alfred,
Sua história, apesar de recente, é tão emocionante e atual, que merece um livro…
Os homens, fascinados pelo mundo virtual, estão perdendo a vida real..
Abraços
Célio Santos
Curitiba - PR
2 Wellington Bernardino Parreiras // 24/09/2011 às 12:54:56
Alfred Reinold Baudisch,
Bom dia!
Li e gostei de sua publicação sobre Cobras como agentes centrais na realização de Sonhos e na Paixão Profissional de 19/06/2011 no Jornada Imperial - Em busca dos trilhões, vislumbrei uma releitura de vida constante intrínseca de seu ser, parabéns.
Ao longo da formação humana os conhecimentos e os saberes do fazer concentraram-se de modo absolutista em alguns grupos sociais, infelizmente, contatamos em nossa sociedade contemporânea a divisão acirrada não muito distante de tempos remotos, entretanto, vale frisar o quão fora favorável a todos, rupturas estruturantes sobre que delineavam o desenvolvimento humanístico dos desprovidos de direitos fundamentais à dignidade humana.
Transcorreram-se ao longo de sua trajetória de vida infindáveis circunstancias que poderiam lhe conduzir a mediocridade cognitiva, no entanto, as combinações naturais dos processos de desenvolvimentos internos e externos, os capacitaram, melhor, lhes foram essenciais de tal modo que os anos se passaram enquanto em você a natureza da condição humana aprimorava suas faculdades cognitivas.
O sublime do homem sofreu mutações consubstanciadas de elementos favoráveis ao desenvolvimento natural tecido pela existência. Em outras palavras, a sucessão de seres que antecedem a vida adulta – criança, adolescência e juventude -, não se renderam ao infinito de restrições culturais negativos, não foram tolhidas pelos achismos neutros - O achismo é a tendência parapatológica da consciência teorizar sem fundamento técnico e sem autovivência expressando excessivamente o ponto de vista teórico ou suposições sobre vários assuntos através da expressão eu acho que.
Seu ser a substitui por “suspeito que” e que, ao suspeitar “proponho que” e que, ao propor “suspeito que posso suspeitar inifitamente, bem como sobre diversas formas”, que potencializa um leque incomensuravel de autovivencia com e entre os objetos, os sujeitos e os sujeitos dos objetos, uma vez que personbificamos os bens materiais e coisificamo-nos -.
Dentre tantos pensadores e intelectuais, sempre escolho um para dar início aos dialógos seja com adolescentes, jovens adultos ou idosos, independentemente de sua condição socioeconômica, com uma frse de Paulo Freire, “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.”, a utilizo sobretudo com colegas das áreas de Educação, sobretudo nos encontros de discussões de Educação com o intuito de trazer à luz da razão oportunidades de teor crítico-reflexivo, uma vez que, sou convicto de que somos seres reflexivos em tempo integral, porém, não nego que muitos não desenvolvem conscientemente tal habilidade por ter sido enclausurado pelas fôrmas que os acondicionam meros expectadores com possibilidade ínfima de reflexão dada em datas específicas como o fim de ano e religiosas.
Sou pedagogo, tenho 37 anos e um jovem filho de 16 anos, moramos em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Abraços fraternos,
Wellington Bernardino Parreiras
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